West Ham é um passo à frente para Sébastien Haller e um rude golpe para a Bundesliga
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West Ham é um passo à frente para Sébastien Haller e um rude golpe para a Bundesliga

Analogamente à cadeia alimentar, a cadeia de transferências – cada vez mais comum no futebol europeu – acontece a cada nova janela aberta. Da mesma forma que a Bundesliga contratada jogadores referências nas ligas de menor prestígio, a Premier League, com seu consolidado lado financeiro, busca os destaques mundiais para englobar a denominação de liga mais badalada do mundo.

Contratado como o jogador mais caro da história do West Ham por 45 milhões de libras, Sébastien Haller foi um dos grandes nomes do Frankfurt que terminou em sétimo na Bundesliga e chegou às semifinais da Liga Europa na última temporada, fazendo 32 gols em todas as competições. Além do mais, sua influência no título da Copa da Alemanha em 2018 também não pode ser omitida. De toda forma, seu crescimento foi tão significativo que clubes de diversas ligas europeias se interessaram em contar com seu futebol.

Mesmo com nove gols sob o comando de Nico Kovac na sua temporada de estreia na liga alemã, sua evolução se deu com Adi Hütter, sendo peça-chave do funcionamento da equipe. Atuando ao lado de Ante Rebic e Luka Jovic, Haller formou um dos trios mais mortíferos da Europa. Ao todo foram 41 gols marcados pelos três, o centroavante francês fez 15, contabilizando mais de um terço do total. Somente nos 15 primeiros jogos de Bundesliga, ele chegou a fazer nove gols e dar seis assistências. Apesar da lesão sofrida no mês de abril, quando o Eintracht Frankfurt fez os principais jogos da temporada, Haller foi um dos grandes nomes da última temporada na Alemanha.

DFL

Ainda que não seja o melhor adjetivo para ser usado, a definição de que foi mais uma vítima desse esquema encaixa perfeitamente. Quem acompanhou as duas últimas edições do campeonato alemão, especificamente a passada, sabe o tamanho da perda do jogador para a liga como um todo. Mais uma utilizando os números como base, somente Robert Lewandowski se envolveu em mais gols na Bundesliga do que Haller. Isso talvez exemplifique bastante a influência do francês dentro do esquema das águias.

Não dá pra negar que o método usado por Hutter também o ajudou no crescimento como jogador. Utilizando constantemente as bolas longas, isso fez com que o ponto forte do francês de 25 anos – a força física em disputas aéreas – fosse melhorado cada vez mais. Como exemplo: das 459 disputas vencidas por Haller, 205 foram aéreas. E assim funcionava o Frankfurt, com ele abrindo espaços e sendo capaz de municiar Jovic.

A grande questão é qual o cenário ele vai encontrar em Londres. Com as saídas de três jogadores da posição: Lucas Perez, Andy Carroll e, principalmente, Marko Arnautovic, Haller será o grande nome ofensivo dos Hammers para a temporada. Do ponto de vista tático, a Premier League é menos física do que a Bundesliga e isso pode ser prejudicial para o jogador. No entanto, se até Peter Crouch e Olivier Giroud, que possuem um estilo de se comportar em campo similar ao francês, conseguiram obter sucesso, porque ele também não pode?

Getty Images

Por mais que a influência da saída de Arnautovic pese nas comparações, não dá pra colocá-lo como substituto direto do austríaco. Claro, se o camisa 7 do clube londrino não tivesse saído, talvez a chegada do jogador fizesse ainda menos sentido. Mas, como um todo, não é loucura dizer que o francês seria um ótimo acréscimo ofensivo para quase todos os clubes da Premier League. Hoje, é raro encontrar um centroavante capaz de fazer o que ele faz.

Além de todos os ingredientes envolvendo sua capacidade técnica, a gestão de carreira envolvendo-o até teve um certo cabimento. Sair de um clube médio da Bundesliga que se firmou como postulante as vagas europeias nos últimos anos, para um clube médio da Premier League que busca sair da comodidade do meio de tabela, não foi a melhor das hipóteses. Entretanto, é mais um passo à frente do que para trás. Afinal, atualmente a visibilidade de boa parte dos clubes da Inglaterra é superior aos da Alemanha.

O lado financeiro logicamente também teve seu peso. Os maiores salários do mundo estão na Premier League e não tem jogador no mundo que não fique balançado com isso. Entretanto, é improvável que essa questão tenha tido tanto peso na sua ida para lá, visto que há não muito tempo, ele teve boa uma oferta da China em mãos e acabou não concretizando o negócio. No fim das contas, a ambição de atuar na principal liga do mundo e, na teoria, ter mais chances de ser convocado para a Seleção Francesa, fizeram – com justiça – a diferença.