VAR: justiça ou fim da essência do futebol?

O Video Assistant Referee (VAR), tecnologia considerada revolucionária pela FIFA, foi aprovado no ano de 2016. A implementação se deu em uma partida da MLS (Major League Soccer) entre duas equipes reservas. O órgão máximo do futebol argumentou que o árbitro de vídeo seria uma interferência da tecnologia visando a diminuição das injustiças.

Em alguns campeonatos mais famosos, como a Premier League e a Bundesliga, o VAR é utilizado em todas as partidas. No entanto, ultimamente temos observado discussões em torno do aparato tecnológico que foi desenvolvido para, na teoria, tornar os jogos mais justos. Na partida de quarta-feira (17) entre Manchester City x Tottenham, pela Liga dos Campeões, o VAR foi utilizado em duas ocasiões: na primeira, o atacante Llorente dos Spurs, teria tocado para o fundo da rede utilizando a mão, porém, após a revisão, foi confirmado gol; na segunda ocasião, o atacante Sterling, no fim do jogo, marcou, mas o VAR anulou.

Na mesma noite de uma das melhores partidas dos últimos anos, o assunto em debate não era a peleja em si, mas sim, o uso VAR. Muitos jornalistas conceituados, como o André Rizek do SporTV, se portaram absolutamente contrários ao árbitro de vídeo por, segundo eles, deixar o jogo moroso, cansativo e “brochante”. Da mesma forma acredita Mauro Cezar Pereira, dos canais ESPN, que publicou um vídeo em que afirma que a situação do Sterling — embora tenha sido justo para o Tottenham — deixou o enredo brochante. Mas vai a questão novamente: até que ponto o VAR deve ser utilizado para interferir no enredo do jogo?

No Brasil, assim como em todo o mundo, o VAR deve ser menos protagonista e mais coadjuvante. (Foto: FoxSports)

A justiça deve sempre se sobrepor à vontade de querer ver enredos marcantes. Como exemplo, logo me vem à mente o jogo de Eliminatórias para a Copa de 2010 entre a França e Irlanda, em Paris. Na ocasião, a equipe da casa perdia por 1 a 0, quando o atacante Thierry Henry ajeitou com a mão a bola que iria sair e cruzou para o gol do zagueiro Gallas. O árbitro sueco, Martin Hansson, entendeu que o lance foi legal. Os irlandeses, que nunca haviam se classificado para uma Copa do Mundo, foram lesados para sempre por um erro grotesco do juiz. Muito possivelmente, com o auxílio da tecnologia, o gol teria sido anulado e o enredo, consequentemente, também. Sem dúvidas foi um dos maiores escândalos da história do esporte bretão.

Mais próximo de nós, também me recordo da final do Carioca de 2014, entre Vasco x Flamengo. O cruzmaltino precisava da vitória no segundo jogo e, nos acréscimos, o volante Márcio Araújo, do Flamengo, empatou a partida em um lance bastante impedido e deu o título ao rubro-negro.

Esses e outros lances foram cruciais para a injustiça em partidas que deveriam ter histórias completamente diferentes. Imaginem o torcedor que voltou para sua casa depois de ter visto um erro escancarado. Portanto, concordo com a argumentação de que o VAR deve ser utilizado de formas diferentes, com filosofias mais aprimoradas, entre outros. No entanto, sua função de tentar reduzir as injustiças no futebol é imprescindível. Os diversos casos já existentes comprovam que a inteligência humana sozinha não é capaz de ser uma balizadora de justiça. O VAR é a mudança. E pra ele realmente funcionar, precisa deixar de ser o problema e virar definitivamente a solução.

 

About Bruno Povoleri

Cursando Comunicação Social e apaixonado pelo futebol alemão. Games, Vasco da Gama e Borussia Dortmund.