Real Madrid “compra” gols e acerta em cheio na contratação de Luka Jovic
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Real Madrid “compra” gols e acerta em cheio na contratação de Luka Jovic

Depois de alguns bons meses de negociação, o Real Madrid anunciou Luka Jovic, do Eintracht Frankfurt, como a sua terceira contratação para a temporada 2019/20. O atacante de 21 anos assinou um contrato por seis temporadas, válido até junho de 2025, e custou cerca de 65 milhões de euros ao clube de Madri. É a maior transferência de um jogador sérvio na história do futebol.

Revelado no Estrela Vermelha, da Sérvia, ele estreou entre os profissionais com apenas 16 anos, em 2014. Ao todo em uma temporada e meia pelo clube foram 13 gols e quatro assistências em 48 jogos. Depois de um início animador, foi comprado pelo Apoel Limassol por 2 milhões de euros, mas nunca jogou pelo clube: foi repassado ao Benfica por 6,6 milhões de euros, o que indica a suspeita de uma operação fraudulenta. Mas isso está longe de ter sido a justificativa para o fracasso de sua passagem pelo clube português.

Com inúmeros problemas extracampo, jogou apenas cinco minutos na equipe principal na temporada de estreia e 32 minutos na temporada seguinte, sem qualquer gol marcado. Basicamente só foi utilizado na equipe B, onde, mais uma vez, teve números fracos: quatro gols em 19 partidas. Então, o levaram ao Frankfurt por empréstimo de dois anos custando 200 mil euros e cláusula de compra de 7 milhões de euros. Era a chance de dar a volta por cima numa carreira que parecia estar longe de alçar voos mais altos.

Desde 2017 no clube alemão, Jovic teve uma evolução absurda em tão pouco tempo. Entretanto, logo na sua primeira temporada, quando foi campeão da Copa da Alemanha, alternou entre a titularidade e a reserva. Foram nove gols e duas assistências nas suas primeiras 27 partidas pela equipe. Longe de engrenar, o sérvio não demonstrava que poderia atingir o seu nível atual. Mas foi sob o comando de Adi Hütter que ele cresceu quase que de forma sobrenatural e se tornou um dos atacantes mais cobiçados de toda a Europa.

Através de um esquema completamente benéfico e voltado para si mesmo, o camisa 8 das águias conseguiu desempenhar um papel fundamental na boa campanha do clube na Liga Europa, e na própria Bundesliga, ainda que tenha caído de produção — em conjunto com o time como um todo— no final da temporada. Muito mais do que gols decisivos, suas atuações como propriamente um centroavante mais móvel e capaz de finalizar de todas as maneiras, foram peça-chave para o funcionamento do Frankfurt desta temporada.

Como complemento para exemplificar o quão completo Jovic se tornou: em duas temporadas na Alemanha, foram 25 gols, dez com o pé direito, dez com o pé esquerdo e cinco de cabeça. Na última edição da Bundesliga, das suas 97 finalizações, 39 foram com o pé direito, 32 com o pé esquerdo e 26 de cabeça. Tudo isso evidencia como ele conseguiu evoluir bem seus atributos, tanto na finalização por baixo, como por cima. Ter aperfeiçoado os dois pés a ponto de se tornar ambidestro também foi um fator determinante na sua evolução.

[pb_highlight color=”#13be6c”][/pb_highlight]  PANORAMA TÁTICO

Antes da lesão de Sebastian Haller que, no caso, era o jogador capaz de atuar de costas para o gol e com a função de segurar a defesa para abrir espaços ofensivos principalmente para o próprio Jovic, o Frankfurt funcionou mais coeso e coletivo. A partir da perda do centroavante francês, o principal comandante do ataque se tornou o jovem sérvio de 21 anos. E foi aí que tudo começou a dar errado. O clube alemão só venceu dois dos oito jogos que ficou sem a participação dos dois juntos.

Assim sendo, é nítido que Jovic se beneficia — e praticamente só funciona — quando há alguém capaz de abrir espaços para ele, puxando a marcação e fazendo com que a bola chegue limpa e pronta para ser finalizada. E foi desse jeito que os comandados de Adi Hütter funcionaram tão bem. O principal objetivo da equipe era fazer com que a jogada chegasse o mais rápido possível nos pés do sérvio, com o claro e explícito objetivo de fazer com que ele estivesse em condições de definir.

Ainda que tenha atuado como um centroavante de ofício em ambas as suas temporadas na Bundesliga, também chegou a atuar como atacante pelos lados nas categorias de base. Por mais que pareça improvável sua utilização em outras posições ou funções que não seja o centro do ataque, pode ser que em alguns momentos do jogo seja requisitado para que ele se desloque às beiradas. Apesar de possuir 1,81 m de altura, Jovic é móvel e veloz o suficiente para não ser taxado como um centroavante-centroavante.

Marcando 1 gol a cada 4,4 chutes na última temporada pelo campeonato alemão, convertendo quase três quartos de suas grandes chances, não é surpresa que cinco de seus 17 gols na competição tenham ocorrido oriundos de contra-ataques. Para medida de comparação, sua velocidade máxima foi 33,8 km/h, algo bem próximo do que atingiu Cristiano Ronaldo. Mais do que isso, sua média de distância percorrida por jogo foram cerca de 9,8 km, além de 21 sprints. Números bem acima do que um atacante de área geralmente realiza durante uma partida.

Esse foi o mapa de calor do atacante sérvio na Bundesliga 2018/19 (Foto: Divulgação/Twitter)

O mais surpreendente disso tudo é que não acaba por aqui. Além de rápido, finalizador nato, inteligente e técnico, Jovic também é habilidoso. De fato, das suas 56 tentativas de drible na Bundesliga, ele venceu 25 vezes e sofreu uma falta em, pelo menos, 29 ocasiões. Muito mais completo do que pareça ser, o sérvio possui — de sobra — muitas qualidades e quase todos os atributos necessários para se tornar um atacante de nível mundial.

[pb_highlight color=”#13be6c”][/pb_highlight]  PERSPECTIVA GERAL

Independentemente do preço pago na transferência, o Real Madrid contrata um jogador que, mesmo aos 21 anos, já demonstra estar pronto para acrescentar qualidade ao elenco. Contudo, a diferença do cenário que ele já estava acostumado em Frankfurt, muito provavelmente não encontrará por lá. Precisando evoluir no jogo associativo, Jovic não terá uma equipe jogando e buscando a todo instante a sua exímia capacidade finalizadora. Logo, naturalmente terá menos oportunidades e, além de precisar ser mais efetivo do que já é nas conclusões a gol, terá de participar mais do jogo.

Há diversas possibilidades para Jovic encaixar nos moldes de Zidane, mas a principal junção deve ser ao lado de Karim Benzema. Podendo atuar ao lado do francês de 31 anos na última linha ofensiva num eventual 4-4-2 ou 4-3-1-2, fazendo com que ele desempenhe um papel similar ao que o Haller realizava, abrindo espaços e dando total condição para que o sérvio finalizasse sempre que possível. Além disso, o mais natural dos caminhos é que Jovic pode (e deve) ser o centroavante de ofício revezando com o camisa 9 merengue. No entanto, em uma eventualidade, ele até consegue atuar aberto pelos lados, apesar de ultimamente não estar habituado a realizar esse papel.

Mais que o aspecto tático, seu maior desafio na mudança de ares para outra liga será a adaptação. Novo país, treinador, companheiros e, principalmente, a nova cobrança. Ao mesmo tempo que chegar ao Real Madrid é um grande desejo realizado, as consequências de estar num dos maiores clubes do mundo são muito superiores a qualquer outro desafio. E esse é o grande perigo: sentir a diferença de estar num clube de nível histórico-mundial. O baque de uma precoce saída de um clube médio para outro de grande porte pode influenciar diretamente na sua primeira temporada pelo clube merengue, trazendo à tona o fantasma de one-season wonder.