Por que acreditar em Thomas Tuchel?
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Por que acreditar em Thomas Tuchel?

O planejamento envolvendo a temporada 2015-2016 no Borussia Dortmund praticamente já se foi, resta agora uma provável disputa pela Copa da Alemanha. Evidenciado pelo treinador, o foco principal da equipe era a conquista da Europa League e como muitos já sabem, uma dolorosa virada dentro do Anfield arruinou todas as pretensões auri-negras. Alguns culpam jogadores, outros o próprio Tuchel, mas ainda resta bons frutos.

O promissor ínicio

O anúncio de sua contratação veio com certa desconfiança, apesar de algumas boas campanhas ao comando do Mainz 05, poucos acreditavam em seu potencial. Tudo encaminhava para uma temporada sem oportunidades de disputas no topo e aos poucos o peso de substituir Jürgen Klopp foi ficando para trás.

Alguns bons jogos contra times medianos e a vitória sobre a Juventus na pré-temporada não animaram tão quanto o incrível 4-0 no Signal Iduna Park logo na primeira rodada do campeonato Alemão. Em cima do bom Borussia Mönchengladbach, que mesmo perdendo algumas peças da excelente campanha realizada na edição anterior ainda assustava “no papel” os torcedores de Dortmund, os aurinegros começaram a mostrar que talvez a temporada não seria ruim.

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Marco Reus comemorando o primeiro gol oficial do Borussia Dortmund em 2015-2016, justamente contra seu ex-clube. (Fonte: goal.com)

Sempre empurrado pela Muralha Amarela, o Dortmund de Thomas Tuchel, ao menos em casa, demonstrou o que seria fundamental pelo resto da temporada: controle do jogo, a posse de bola e variações táticas. Aos poucos empurravam “os Potros” e disparavam na vantagem sobre o placar. Saudado após uma impressionante estreia, tudo que restava ao torcedor auri-negro era esperança depois da tenebrosa temporada passada.

O sonho

Líder nas primeiras rodadas e com o fantástico futebol apresentado, tudo se indicava em jogo duro contra o Bayern de Munique pela liderança. Não durou muito até que os bávaros se distanciaram e começaram a frustrar os planos de título por parte dos auri-negros. Voltando à realidade, Hans-Joachim Watzke nunca tirou os pés do chão e deixou bem claro que o objetivo na Bundesliga era a classificação para Champions League do próximo ano, hoje já assegurada.

Vira-se os olhos para Europa League: nunca conquistada e um gosto entalado na garganta amarela e preta pelo fato de 2 vices no passado pela competição. Mesmo com um grupo relativamente fácil, fracas atuações e classificado em segundo colocado para 16 avos-de-final, foi colocado à prova de fogo contra o Porto. Todos os focos voltados a Thomas Tuchel e seu elenco, era o confronto perfeito para provar sua eficiência e a confirmação de que eram francos favoritos nessa competição.

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Como de costume, a torcida do Dortmund deu um show à parte criando um álbum de figurinhas no qual mostrava a última que faltava para completar. (Fonte: trivela.uol.com.br)

Atuações convincentes contra o Porto, e logo mais contra o Tottenham, vencendo 3 dos 4 jogos disputados na fase eliminatória, os aurinegros mostraram a força proposta pelo seu elenco. Classificação para semi-final na Copa da Alemanha e a melhor campanha de sua história na Bundesliga, mesmo praticamente não possuindo mais chances, evidenciam o trabalho quase impecável de Thomas Tuchel em sua primeira temporada no comando do time.

A dolorosa tragédia

Todos queriam o esperado confronto entre Jürgen Klopp e Borussia Dortmund, mas não se sabia quando aconteceria. Pronto, o destino definiu que seria logo nas quartas de finais e o baque na mídia foi intenso. O principal foco da temporada auri-negra era o título e pelo lado do Liverpool de Klopp, esta seria a única chance de classificação para Champions League.

Um duelo acirrado no primeiro jogo realizado na Alemanha, mesmo com o Dortmund dominando e tentando controlar, os Reds abriram o placar surpreendendo a “blitz” amarela e preta feita no campo de ataque. No segundo tempo mantendo a estratégia, a equipe de Tuchel foi pra cima com tudo e conseguiu o empate logo no começo com Mats Hummels. Terminado empatado, a decisão foi levada em aberto para Liverpool e esse foi um dos problemas.

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Em um jogo atípico, os auri-negros tomaram a virada mesmo com 2 gols de vantagem no placar. (Fonte: ESPN.com)

Inacreditável: essa seria a palavra mais completa que ilustraria o cenário vivido na noite de quinta-feira em Anfield. Um primeiro tempo quase impecável, mesmo com algumas falhas e o time de Klopp pressionando, Aubameyang e companhia saíram com uma vantagem de 2 gols no placar. Tudo indicava em um segundo tempo tranquilo aos alemães e não foi muito bem isso que vimos. Origi diminuiu o placar e colocou os Reds de volta no jogo, até que o “indecisivo” Marco Reus guardou e manteve a vantagem, após isso o indício da classificação auri-negra só aumentava, até que… inexplicável, não existem maneiras de saber o acontecimento do resto. Nem nós ou eles saberemos explicar que, infelizmente, foi real.

Reerguimento ou renovação?

O que não deve acontecer é o crucificamento, principalmente em torno de Thomas Tuchel. É apenas sua primeira temporada no comando do time e já apresentou números e futebol suficientes dignos de Borussia Dortmund. A maior preocupação são os resquícios da eliminação afetarem as renovações dos pilares do elenco e é provável que aconteça. Reposições devem ser feitas e o maior objetivo desafiado à Tuchel é a mudança, consequentemente pela assombrosa temporada deixada por Klopp em seu último ano em Dortmund.

Ottmar Hitzfeld, técnico multicampeão pelo Borussia Dortmund: “Tuchel é a mistura perfeita de Guardiola e Klopp.” (Fonte: focus.de)

Contratações não surgiram o efeito indicado, mesmo ainda faltando o final de temporada é improvável que consigam. Januzaj não sabe até hoje para que veio, tendo uma pífia passagem por empréstimo. Hofmann voltou e não voltou ao mesmo tempo, felizmente saiu. Park-Joo-ho foi contratado até mesmo pela sua polivalência, mas teve mais jogos ruins do que bons, não deve nem mais continuar em Dortmund. O que vos ressalva é Gonzalo Castro e Julian Weigl, o segundo ainda mais, que mesmo com 20 anos se tornou uma das maiores promessas alemãs e forte concorrente à vir ao Brasil nas Olimpíadas.

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Curiosidade: os recém-contratados Gonzalo Castro, Park Joo-Ho e Adnan Januzaj foram as principais novidades do time que foi a campo na estreia da UEL. (Fonte: bvbtotal.de)

Confiança

Thomas Tuchel é o cara ideal para o Borussia Dortmund. Estranho seria jogar uma temporada toda fora por causa de uma catástrofe na Inglaterra, esperemos que não. Ainda há esperança em Dortmund, mesmo que saiam sem títulos, com certeza a Muralha Amarela sairá orgulhosa de uma temporada em que houveram mais altos do que baixos.

A lição deixada é a do esporte, bem colocada pelo treinador. O desafio daqui até lá será mais complicado, principalmente pela reação da torcida e dos jogadores. Bom desempenho e o aprendizado em suas próximas aparições vão ser definitivas para confiança retornar. Seria muito amargo esse time sair sem um título nessa temporada.

TEXTO PUBLICADO NO ENDSPIEL