Reiss Nelson
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Reiss Nelson

Filho de pai zimbabuano e mãe inglesa, Reiss Nelson nasceu no sul de Londres, na Inglaterra, onde ingressou na academia de jovens do Arsenal aos 9 anos. Causando grande impressão nos treinadores, ele chegou a ser promovido sempre para uma categoria acima da sua idade, disputando cerda de 35 jogos por todas as categorias de base. Após várias atuações impressionantes, ele assinou seu primeiro contrato profissional com o clube londrino em 2016.

O ano seguinte de Nelson foi a grande mudança de perspectiva em sua carreira. Incluído na pré-temporada da equipe principal, fez sua estreia contra o Bayern de Munique no International Champions Cup. Depois, estreou oficialmente no profissional contra o Chelsea, na Supercopa da Inglaterra. E a primeira aparição em uma competição europeia, contra o Colônia num jogo válido pela Liga Europa. Sua rápida ascensão na temporada 17/18 o creditou para, mesmo ainda muito jovem e irregular tecnicamente, buscar uma vaga no elenco dos gunners.

No entanto, suas fracas atuações em 2018 não impressionaram o até então treinador, Arsène Wenger. Pelo Arsenal, ao todo foram 16 jogos, nenhum gol e nenhuma assistência. Assim sendo, ele seguiu o mesmo caminho de outras jovens sensações inglesas e foi emprestado ao futebol alemão. Contudo, antes de fechar a negociação com o Hoffenheim até o final da última temporada, Nelson assinou um contrato até 2022 com o clube londrino.

“Ele mostrou que pode driblar, passar por jogadores e não se incomodar com qualquer que seja a ocasião”, disse Arsène Wenger, ex-treinador do Arsenal.

Inicialmente contratado para ser uma peça ofensiva que o time comandado por Julian Nagelsmann não tinha, o inglês de 19 anos conseguiu ser o diferencial da equipe, mesmo só tendo atuado um jogo por completo em uma única ocasião. Em específico quando foi eleito o jovem jogador de outubro, Nelson fez três gols e deu uma assistência em três jogos. Daí em diante, parecia que ele iria conseguir manter esse mesmo nível e engrenar na carreira. Mas não aconteceu, e essa acabou sendo a sua única boa fase na Bundesliga.

Existe uma explicação por trás do sucesso momentâneo e do insucesso contínuo do jogador. Primeiro que, nos jogos que foi bem, por incrível que pareça foi uma das poucas vezes em que seu comandante lhe deu sequência colocando nas suas posições de origem. Depois disso, até chegou a atuar em algumas ocasiões, mas boa parte delas encaixotado no esquema do Nagelsmann.

Como os times do atual treinador do Hoffenheim historicamente são construídos com uma linha defensiva de três, um meio-campo combativo com cinco jogadores e uma dupla de centroavantes mais de ofício, os pontas de origem acabam sobrando no banco de reservas. Até por conta disso, no elenco atual só existem dois jogadores de lado de campo: Robin Hack e Reiss Nelson. Curiosamente ambos, ao lado do próprio treinador, estão de saída.

Por mais que Nelson não tenha conseguido o espaço necessário para se desenvolver, ainda conseguiu demonstrar algumas evoluções interessantes. Predominantemente atuando como extremo no lado direito, foi por lá que ele conseguiu suas melhores atuações. No entanto, o jovem inglês também fez bons jogos tanto como meio-campista ofensivo, quanto extremo do lado esquerdo. Com um exímio controle de bola e uma habilidade digna de “um brasileiro”, ele utiliza do drible como sua principal artimanha para quebrar linhas de marcação. Logo, em alguns momentos da temporada, ele era o desafogo da equipe alemã ao lado de Joelinton.

“Eu sempre gostei de sua personalidade em campo e ele é um dos vários atacantes ingleses que vão impressionar nos próximos anos”, disse o atual treinador da Seleção Inglesa, Gareth Southgate. 

Pelo pouco que conseguiu mostrar, já deu pra perceber que o atual camisa 9 do Hoffenheim é um jogador difícil de encontrar uma comparação ideal, mas lembra muito o estilo de jogo do Neymar e do seu amigo de infância e compatriota, Jadon Sancho. O grande motivo para tais comparações é que ambos frequentaram a melhor escola para se aprender futebol: a rua. Criativo e veloz, sua principal virtude é criar chances unindo essas mesmas duas características. Além disso, para pouca idade que ainda possui, seu poder de finalização é mais do que satisfatório.

Do mesmo modo como nem tudo são flores, o atacante inglês tá longe de poder ser considerado um talento pronto. É claro que existem muito mais qualidades do que defeitos, mas há atributos que, se ele pretende atuar regularmente em nível de Bundesliga ou Premier League, precisa melhorar com urgência. No atual futebol moderno, é mais do que obrigação um atacante de lado de campo recompor para ajudar na marcação. E isso Nelson pouco faz. Mesmo usando o gancho autoexplicativo da pouca idade, ele já deveria — ao mínimo — ser melhor defensivamente.

Apesar de uma temporada de mais baixos do que altos, seu valor de mercado passou de 500 mil para 17 milhões de euros. Como o futebol inglês é inflacionado, isso não deixa de refletir sobre as possíveis cifras que rondam o jogador. Mas não deixa de ser uma explicação para a nítida evolução que ele teve na Bundesliga, mesmo com pouco tempo de jogo. Ainda assim, mesmo que haja especulações sobre seu aproveitamento no elenco do Arsenal, um novo empréstimo para um time em que tenha mais influência dentro de campo pode ser mais benéfico para seu desenvolvimento.

*O jogador foi eleito o melhor novato da Bundesliga do mês de outubro. Para concorrer, é preciso que nunca tenha atuado na competição anteriormente e possua menos de 23 anos. A votação para rookie of the season (estreante da temporada) foi feita por voto popular.