Lichtsteiner no Augsburg parece um pesadelo improvável
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Lichtsteiner no Augsburg parece um pesadelo improvável

Se no futebol há transferências que nem a ciência consegue explicar, quem dirá a pessoa que vos escreve. Assim sendo, Stephan Lichtsteiner enigmaticamente foi contratado pelo Augsburg e assinou um vínculo de uma temporada. Após uma rápida e frustrante passagem pelo Arsenal, ele estava livre no mercado e sequer haviam rumores o envolvendo em algum clube, o que parecia estranho e compreensível ao mesmo tempo.

Há não muito tempo, Lichtsteiner era titular de uma equipe como a Juventus, possuindo até mesmo a faixa de capitão. Ademais, também atuava em alto nível pela seleção da Suíça, o que cá entre nós, não é pouca coisa. Nesse período em específico, parecia que o cenário mais propício era de uma aposentadoria permanecendo mais algum tempo na Itália. Contudo, não foi bem isso que aconteceu. Mesmo especulado no Borussia Dortmund de Lucien Favre, seu conterrâneo, rumou para o Arsenal em busca de um novo e mais arriscado desafio.

Quando chegou ao clube inglês depois de passar anos e mais anos no clube italiano, foi rondado de certa expectativa por se tratar de uma opção experiente e que poderia agregar em um elenco com nítidas lacunas defensivas. No entanto, aconteceu o contrário: ao invés de ser a solução, se tornou o problema. Além do banco de reservas, que naturalmente já era esperado desde o dia que aterrissou em Londres, suas atuações foram próximas do ridículo, ficando bem longe do nível mínimo requisitado para praticar futebol.

Divulgação/Augsburg

A decadência foi tamanha que até deixou de ser convocado pelo seu país, algo que não acontecia há bastante tempo. Logo, pela segunda vez seguida sem renovar, caiu do céu uma oportunidade de ouro ao ir à Bundesliga. Dono de uma notável capacidade física, Lichtsteiner pode ter na liga – que privilegia mais o biotipo físico entre as cinco melhores da Europa – o seu refúgio. Devido a sua acentuada queda técnica, talvez em nenhuma outra conseguiria atuar em um nível próximo do aceitável.

No entanto, ainda acho um reforço longe do ideal. Mas se for analisar pela perspectiva de mercado, e de elenco do Augsburg como um todo, atualmente não há um jogador que dá para ser considerado titular da lateral-direita. Na teoria seria Raphael Framberger, mas o mesmo sofreu uma lesão no joelho e não há previsão de retorno. Sem ele, o único que restava era o jovem Simon Asta, que acabou de ser integrado aos profissionais até por conta dessa escassez.

Então, é óbvio que Lichtsteiner será o dono da posição na temporada 2018-19, e provavelmente isso tenha sido uma de suas exigências para aceitar a proposta. Para um jogador em extremo declínio na carreira, que não serviu para Juventus e Arsenal, talvez sirva para as pretensões da modesta equipe alemã. Porém, num time que possui três boas opções na outra lateral, sendo dois recém-contratados, fica a sensação de uma defesa cambeta. Possuir somente o suíço para a lateral-direita é o prognóstico do pior filme de terror no campeonato alemão: o rebaixamento.

Aos 35 anos, Lichtsteiner poderá agregar com experiência e nada mais. Nem dá para usar a gíria “dar um caldo”, comumente transportada ao mundo do futebol quando se trata de um jogador experiente e que ainda pode contribuir com alguma coisa, pois não é caso. De qualquer modo, é uma transferência aleatória e que desagrega mais do que agrega, muito por conta de estar bem próximo do fim da carreira. Entretanto, como toda contratação, eventualmente também pode dar certo, apesar de todos os componentes envolvendo-o em específico, a tendência dos fatos é que, pelo menos, corresponda às baixas expectativas.