Leonardo Bittencourt foi o que restou aos desejos do Werder Bremen
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Leonardo Bittencourt foi o que restou aos desejos do Werder Bremen

O último dia de janela de transferências na Europa costuma ser movimentado com chegadas e saídas inesperadas. De certa forma, o caso Leonardo Bittencourt no Werder Bremen pode ser considerado um pouco dos dois. Quase todos os caminhos indicavam que poderia sair do Hoffenheim, visto que sofreu com a concorrência e pouco conseguiu convencer nas oportunidades que teve. Assim, o alemão filho de brasileiros foi contratado pelo clube do norte da Alemanha por empréstimo com opção de compra.

Não era absurdo prever que sua passagem pelo Hoffenheim estava com os dias contados e poderia acabar o mais breve possível, visto que esteve longe de demonstrar valor. Além do mais, o clube passou (e continua passando) por uma reformulação no seu elenco, desde a saída de Julian Nagelsmann até as perdas de pilares como Nico Schulz e Kerem Demirbay. Ou seja: para um jogador que pouco conseguiu render, o melhor caminho para os dois lados era uma transferência. Porém, como deixaram chegar até o último dia possível para viabilizar, creio que o empréstimo foi a única maneira de concretizar o negócio.

Unindo o útil ao agradável, o Werder Bremen buscava um meia de ligação, mais propriamente conhecido como camisa 10, há algum tempo no mercado. Como não encontrou soluções e oportunidades de negociações no decorrer do período disponível, parece que partiram para a última opção – ou, pelo menos, a mais rentável do ponto de vista do custo-benefício – denominada Leo Bittencourt. Claro, não passa de uma indução, mas, geralmente o empréstimo feito no último dia de janela de transferências instiga a pensar que foi algo feito e pensado no desespero.

Imago Images

Diferentemente de quando atuava no Colônia, quando conseguiu atingir sua melhor fase da carreira, Leo se tornou um meio-campista central perante os domínios do Nagelsmann. Apesar de ter ido muito mal, tudo indica que o Bremen contratou pensando em utilizá-lo por ali, mas nada impede de também realizar outras funções dentro de campo. No entanto, se foi algo pensado para substituir Max Kruse, não faz o menor sentido. Além dos dois possuírem características completamente diferentes, Kruse atualmente se encontra em outro patamar.

Mesmo que continue achando a camisa 10 um tanto quanto exagerada em seu domínio, Leo demonstra ambição de ainda acreditar que pode carregá-la sem sentir o peso histórico. Para o elenco em si, é uma contratação que encorpa e dá possibilidades de um jogador capaz de possibilitar diferentes utilizações. Entretanto, individualmente não é o reforço ideal para as atuais perspectivas do Bremen. Na última temporada foram 26 jogos e um único gol marcado. Muito pouco para alguém que será o camisa 10 de uma equipe em que, na teoria, lutará por competições europeias.

Englobando todos os contextos, inclusive o ditado “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”, o Werder Bremen buscou suprir o desejo de ter um jogador que conseguisse atuar no meio-campo ofensivo, tivesse conhecimento da liga e fosse possível concretizar a transferência com menos burocracias possíveis. Então, Leonardo Bittencourt acabou sendo o candidato que mais atendeu os requisitos necessários, podendo até ser titular se recuperar o bom rendimento de temporadas anteriores. Ainda assim, chega com o nível de expectativa bem abaixo do número escolhido.