Nicolás González
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Nicolás González

Nascido e criado em Belén de Escobar, um subúrbio de Buenos Aires, Nicolás González foi criado em uma das academias mais reveladoras dos últimos anos: as categorias de base do Argentinos Juniors. O clube em questão tem tanta tradição no que se refere a descobrir talentos que “só” revelou, por exemplo, atletas como Fernando Redondo, Juan Román Riquelme e Diego Armando Maradona.

Depois de dez anos atuando nos juvenis, o jovem argentino estreou profissionalmente em julho de 2016, quando o clube ainda jogava a Primera C Metropolitana (equivalente a Série C do campeonato argentino). No entanto, González só foi ter mais espaço no ano seguinte, já na Primera B Nacional (Série B do campeonato argentino). Ainda assim, predominantemente entrando no decorrer dos jogos, ele atuou em somente 20 jogos e marcou quatro gols em toda a temporada.

Recém-promovido para a Superliga Argentina (primeira divisão argentina), ele vivenciou a reconstrução da equipe ao subir da Série C para a Série A do país em dois anos. Diferentemente dos anos anteriores, e também por já estar mais maduro, González obteve mais tempo de jogo e atuou em sua maioria como centroavante em toda a temporada 2017/18. Ao todo foram sete gols e uma assistência em 24 jogos. Além dos números aceitáveis, suas atuações fizeram com que clubes do exterior se interessassem no seu futebol.

“Ele me lembra Mario Kempes”, disse o ex-treinador do Argentinos Juniors, Alfredo Berti. 

Apesar de ter sido fortemente ligado à Inter de Milão, rumores de que ambos os clubes não chegaram a um valor ideal de transferência existiram. Então, o Stuttgart entrou na jogada e acertou a contratação do jogador por cerca de 8.5 milhões de euros, com o clube argentino mantendo 12% de qualquer taxa futura de transferência. Mesmo não tendo sido um valor relativamente alto, foi (e continua sendo) a maior venda da história do modesto Argentinos Juniors.

Ainda que em um dos piores times da história do clube alemão, González conseguiu ter uma rápida adaptação e fazer boas atuações, se tornando o diferencial de uma equipe escassa tecnicamente. Não dá para ignorar que, como o nível era baixíssimo, qualquer pouca qualidade que surgisse consequentemente conseguiria sobressair. No entanto, em uma nítida bagunça tática, ele chegou a atuar em todas as posições ofensivas possíveis, com mais enfoque para sua posição de origem, a “centroavância”.

A verdade é que o jovem argentino caiu em uma bomba. Vivenciando a troca de dois treinadores e a entrada de um interino com ideias quase que completamente diferentes, o camisa 22 do clube alemão não conseguiu ter uma sequência de planejamento. Ainda que tenha conseguido muitas oportunidades na equipe principal, ficou visível que a mudança repentina de comando influenciou negativamente não só ele, como toda a equipe. Além do mais, as escolhas dos treinadores foram até piores do que as próprias trocas durante a temporada.

“Nicolás é polivalente na frente do ataque e vamos lhe dar tempo suficiente para que ele possa amadurecer nessa nova experiência”, disse o diretor esportivo do Stuttgart, Michael Reschke.

Em um janeiro conturbado, onde o Stuttgart conseguiu a proeza de não vencer nenhum dos dois amistosos que disputou na pausa de inverno e ainda perdeu os únicos dois jogos do mês da Bundesliga, González foi um dos poucos jogadores que conseguiram se destacar em tempos tão nefastos. Do pouco que houve ofensivamente, contabilizando um jogo antes e outro depois desse mesmo mês, ele chegou a marcar dois gols e dar duas assistências em seis partidas.

Rápido, habilidoso, e flexível a ponto de ser capacitado a atuar em todas as posições de ataque, o argentino foi um bom achado da equipe alemã. Contudo, acredito que não estava no planejamento — tanto do clube, como do próprio jogador — um possível rebaixamento para a 2. Bundesliga (segunda divisão alemã). Em casos como esse, é provável que aconteça uma limpa no elenco e jogadores com mercado (como ele) tendem a ser negociados.

De qualquer forma, González tá longe de ser um jogador pronto. Aos 21 anos, ainda há muitas deficiências que devam ser corrigidas se ele realmente pretende se tornar uma referência no país germânico ou na própria Europa. Fraco segurando a bola, ineficiente nas oportunidades claras de gol, ineficaz realizando cruzamentos, e sem quaisquer disciplina tática defensiva. Ademais, é preciso que ganhe mais massa corporal se quiser brilhar no físico futebol alemão.

É claro que não dá para avaliar por completo um jogador que só realizou uma temporada na Europa. Mas, dentre todos os pontos positivos e negativos, ele ainda aparenta ser um jogador cru. Com muita perspectiva de evolução nos próximos anos, a única saída benéfica para o argentino seria um clube de médio para pequeno porte que dispute uma das cinco grandes ligas europeias. Se possível, claro, permanecer na Alemanha facilitaria ainda mais sua evolução. Porém, não vejo com bons olhos uma possível (e provável) permanência no Stuttgart.

*O jogador foi eleito o melhor novato da Bundesliga do mês de janeiro. Para concorrer, é preciso que nunca tenha atuado na competição anteriormente e possua menos de 23 anos. A votação para rookie of the season (estreante da temporada) foi feita por voto popular.