Hoffenheim é a chance que caiu do céu para Sebastian Rudy
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Hoffenheim é a chance que caiu do céu para Sebastian Rudy

Assim como acontece em qualquer profissão, a gestão de carreira é algo imprescindível para obter sucesso. Em específico, os jogadores de futebol partilham de uma ocupação que é o sonho de milhares de crianças e adolescentes, com a promessa de sucesso, fama e dinheiro. Contudo, se a carreira não for bem administrada, poderá tomar um rumo indesejado. Desse modo, Sebastian Rudy é um exemplo do que não fazer quando conseguir prestígio, mesmo que pouco, dentro do mundo do futebol.

Formado nas categorias de base do Stuttgart, foi ao Hoffenheim em 2010 por uma quantia em torno de 4 milhões de euros. Desde então, se tornou uma das referências técnicas da equipe, chegando a usar a braçadeira de capitão em alguns bons momentos. Titular absoluto durante oito anos e com quase 200 partidas pelo clube, passou a ser convocado por Joachim Löw à seleção principal da Alemanha a partir de 2014. E foi assim que o Bayern se interessou pelo jogador, até por ele ter decidido não renovar com o Hoffenheim na época.

Em qualquer que seja a hipótese, não tem como dizer que trocar o Hoffenheim pelo Bayern é um passo atrás na carreira. No entanto, Rudy deveria ter avaliado melhor a situação. Dono de uma moral absurda em Sinsheim, trocou a semi-idolatria pela ganância de estar em um dos maiores clubes do mundo. Não o julgo por isso, porque acredito que, talvez, se eu estivesse no seu lugar, faria a mesma coisa. Mas analisando do ponto de vista de carreira, acabou dando um passo maior do que a perna.

Getty Images

Na Baviera, encontrou um cenário de bastante concorrência na posição e chegou sendo o último na fila de Carlo Ancelotti. Até creio que tenha sido contratado justamente para ser uma espécie de coringa, podendo atuar tanto no meio-campo, como na lateral-direita. Porém, mesmo conseguindo atuar relativamente em muitos jogos, não passou de um quebra-galho. E isso fez com que o tiro acabasse saindo pela culatra.

A expectativa de Rudy ao ir para o Bayern talvez tenha sido se consolidar como um dos principais meio-campistas da Alemanha e cavar uma cadeira cativa na seleção alemã. Acabou que não foi nem um e nem outro. Além do mais, não chegou nem perto de ser o Rudy do Hoffenheim que controlava o jogo e também conseguia contribuir ofensivamente. Em relação ao que era, podemos dizer que piorou em quase todos os quesitos. Todavia, como o futebol apresentado pela equipe bávara era de tamanho alto nível, sua contribuição individual acabou sendo omitida.

Com o intuito de ter mais espaço e deixar de ser coadjuvante, Rudy foi para o Schalke 04 por cerca de 16 milhões de euros. Na teoria fez sentido, visto que era o destino perfeito para retomar o bom nível futebolístico. Um clube grande que foi vice-campeão naquela temporada e iria disputar Champions League. Possivelmente não deveria nem haver propostas melhores do que essa. Porém, na prática, foi o pior negócio possível (menos pro Bayern, que havia contratado de graça e vendeu por um preço aceitável).

Reprodução/Baalis

Uma coisa é certa: em Gelsenkirchen deu para perceber o tamanho da sua queda de rendimento desde a saída do Hoffenheim. É claro que não dá pra ignorar a questão de basicamente quase tudo ter dado errado na temporada dos azuis-reais, mas a sua contribuição foi próxima da inexistência. Tanto é verdade que em 28 jogos, Rudy não conseguiu fazer um único gol ou dar uma única assistência. Até compreendo que tenha atuado priorizando mais a parte defensiva do que a ofensiva, mas não dá pra um meio-campista passar em branco nos principais números das estatísticas.

O fracasso foi tão expressivo que o Schalke abriu mão do jogador e o emprestou ao Hoffenheim aparentemente sem custos e até o final da temporada 2019-20. Da perspectiva de negócio, o clube possuinte dos seus direitos federativos terá a oportunidade de, assim como ele, recuperar seu valor de mercado. Do ponto de vista técnico, Rudy voltará ao clube onde conseguiu atingir seu mais alto nível. No entanto, o cenário encontrado na sua primeira passagem é totalmente diferente do que é o clube hoje.

Buscando se reestruturar sem Julian Nagelsmann e jogadores importantes que foram vendidos, o Hoffenheim encontra em Sebastian Rudy uma boa e instantânea oportunidade de mercado. Melhor ainda para ele, que depois de diversas decisões contestadas na sua gestão de carreira, agora terá o refugo no apoio necessário para voltar a atuar em alto nível. Ainda assim, antes de dar a volta por cima, o mais importante nesse retorno foi ter reconhecido — não oficialmente — que praticamente errou ao deixar a Rhein-Neckar-Arena.