Há explicação por trás do domínio europeu da Premier League?
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Há explicação por trás do domínio europeu da Premier League?

Hoje em dia na moda, o debate sobre qual liga europeia é a melhor do momento envolve diversos fatores que, encabeçados pelos resultados, não levam a uma resposta concreta. Alguns defendem que o melhor torneio é aquele que conta com os melhores jogadores. Outros defendem que um campeonato só pode ser considerado bom ou ótimo se for realmente equilibrado. Por mais que pareça impossível de acontecer, existe uma liga em que esses mesmos dois pontos de vista atualmente caminham juntos: a Premier League.

Nunca na história do futebol quatro times do mesmo país decidiram duas finais continentais. Com Tottenham x Liverpool na final da Champions League e Chelsea x Arsenal na final da Europa League, o campeonato inglês quebrou esse tabu e cravou 100% de participação nas duas principais finais de competições europeias. O feito inédito também ajuda a explicar, dentro de campo, o sucesso que a Premier League possui fora das quatro linhas.

No último estudo publicado pela consultoria Deloitte, especializada em finanças do futebol, dos 24 clubes de maior receita do futebol mundial, 12 são ingleses. Dentre eles, constam até alguns clubes de pouca expressão no cenário europeu como Everton, Leicester, Southampton e Crystal Palace. Apesar da liderança dos espanhóis Real Madrid e Barcelona, o predomínio britânico é incontestável. E a receita de direitos televisivos é decisiva nisso.

Essa foi a projeção de ganhos realizada antes da última rodada do campeonato inglês. Chama a atenção a relativa pequena diferença entre o primeiro e o último colocado (Foto: Reprodução/Twitter)

A divisão das receitas é feita da seguinte forma: uma cota fixa que é paga aos clubes de forma igualitária, mais uma cota de acordo com a quantidade de jogos transmitidos por equipe, e a cota de acordo com a colocação final no torneio. Com isso, a igualdade dentro de campo começou a ser cada vez mais nítida, ocasionando um maior equilíbrio na competição como um todo.

Nas últimas quatro finais de Europa League (contabilizando a de agora), o campeonato inglês emplacou quatro times. Também como parâmetro, são três finalistas nas últimas duas decisões de Champions League, sendo que na atual inevitavelmente haverá um campeão inglês. Tudo isso leva a entender que o sucesso de uma liga local competitiva e igualitária pode fazer a diferença na hora de disputar os principais torneios europeus.

Mas não foram só os valores que influenciaram positivamente nisso. A chegada de treinadores referências em outros países também colaboraram e muito. Sendo bem superficial e contabilizando somente os principais, Pep Guardiola, Jürgen Klopp, Maurizio Sarri e Unai Emery são exemplos de que a imigração de outras escolas europeias também pode influenciar na mentalidade local. Por mais subvalorizado que seja, o acréscimo de visões e estilos diferentes induziram diretamente na evolução tática e comportamental de toda a Premier League.

Há não muito tempo, Guardiola e Klopp duelavam pelo título da Bundesliga. Hoje, brigam cabeça a cabeça pela Premier League (Foto: Reprodução/EuroSport)

Ainda que pouco abordada, a chegada de técnicos de nível mundial e com bagagem, fizeram com que a liga inglesa subisse de patamar em tão pouco tempo. Olhando para a classificação final, o técnico inglês melhor classificado (Roy Hodgson) está na 12ª colocação (Crystal Palace). De resto, todos que estão a sua frente são técnicos estrangeiros. Essa foi a melhor — e mais óbvia — fórmula de sucesso encontrado pela Inglaterra para tornar do seu futebol o mais competitivo do mundo: possuir os melhores técnicos e, consequentemente, os melhores jogadores.

Para isso, o aspecto financeiro teve interferência direta, tanto jogadores, como técnicos, são seduzidos por montantes estratosféricos. É claro que a perspectiva esportiva também instigou, mas não dá para negar o quão abusivo os valores de transferências e salários se tornaram. Entretanto, isso faz parte de um efetivo plano a longo prazo que foi colocado em prática pensado para chegar no atual escalão.

A recente supremacia das equipes espanholas nas competições europeias ocultou os investimentos feitos pelos ingleses no futebol, dando a entender que não geravam (e possivelmente não gerariam) retorno dentro de campo em nível continental. Porém, bastou uma temporada de insucesso das outras ligas para escancarar o previsível domínio da Premier League. Ainda que sejam equipes inglesas, a mestiçagem das mentes por trás das principais equipes não pode sere rotulada por uma nacionalidade que carrega apenas o nome. O sucesso esportivo de estrangeiros maquia o futebol inglês que, de novo, mostra ao mundo estar num patamar difícil de rivalizar.