Fluminense acerta e erra ao mesmo tempo no caso Pedro
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Fluminense acerta e erra ao mesmo tempo no caso Pedro

O que parecia provável, finalmente se concretizou: depois do atraso devido à grave lesão sofrida por Pedro em agosto do ano passado, o Fluminense vendeu o jogador para o mercado europeu – desejo comum entre as duas partes. A Fiorentina desembolsou um total de 11 milhões de euros pela transferência e, de acordo com o Globo Esporte, o Tricolor ficará, inicialmente, com 8 milhões mais 20% dos direitos econômicos do centroavante, que deverá ser repartido com o Artsul, clube que recebeu o restante do montante total da negociação.

Vamos direto ao ponto: não é novidade pra ninguém que o Fluminense, assim como boa parte do futebol carioca como um todo, vive uma grave crise financeira e precisava urgentemente obter capital no curto prazo. Logo, a venda do Pedro se tornou algo imprescindível para, pelo menos, aliviar até o fim do ano. Sem entrar nas questões da proposta do Flamengo e que a cotação de mercado do jogador estava em torno de 18 milhões de euros no Transfermarkt, fica claro que futebol é muito mais do que valores. Além das questões esportivas, os interesses precisam estar em plena sintonia – o que não era o caso até o surgimento da Fiorentina.

Tudo isso leva a crer que não é o clube que se adapta ao mercado, é o mercado que se adapta ao clube. Faz toda diferença negociar precisando de dinheiro e não precisando. Como o clube das Laranjeiras necessitava de fazer caixa, é totalmente compreensível a escolha de vender o principal jogador da equipe. Fora que em momentos como esse, as questões esportivas são deixadas em segundo plano, e aí está o grande erro em questão.

Corriere dello Sport

Talvez a situação não fosse a ideal para a venda, visto o momento vivido no clube. Demissão de treinador, eliminação na Sul-Americana, zona de rebaixamento no Brasileirão e uma crise que parece não ter fim. Sem a menor sombra de dúvidas, Pedro era o jogador com mais qualidade no elenco tricolor. E digo mais, provavelmente o com mais capacidade de colocar a bola debaixo do braço e decidir jogos. Então, do ponto de vista esportivo, não tem preço que valha a pena abdicar do talento de um atleta de bom nível para manter o compromisso em dia com outros vários cabeças-de-bagre.

Antes de ter concretizado a venda, deveria ter sido levado em questão o possível rebaixamento que, caso aconteça, levará um prejuízo gigantesco em relação às cotas de televisão. Então, “o tiro pode sair pela culatra”. O que agora parece ser um alívio financeiro, num breve futuro pode ser um estrago sem volta. Lógico, também não faço a menor ideia se haveria alguma chance de o clube não conseguir sobreviver até o próximo ano caso uma grande venda não fosse feita. Mas o preço a ser pago pela troca de um ativo que não possui substitutos a altura no elenco pode ser perigoso.

Se for colocado na balança de um lado a possibilidade de mantê-lo, sem a garantia de manter os salários do elenco em dia, e do outro a sua venda, eu prefiro correr o risco de ficar no vermelho financeiramente do que esportivamente. De momento, a compensação recebida ajuda? Claro que ajuda. Entretanto, perder seu principal jogador na (talvez) pior crise desde 2009 também tem um valor que, se cair na conta, pode ser pior do que o imaginado.