Lesões podem mudar rumos e Fekir é a prova viva disso
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Lesões podem mudar rumos e Fekir é a prova viva disso

No futebol há bonitos lances, jogadas irreverentes e resultados inesperados, mas também existe um lado obscuro em campo. E esse lado fica por conta das lesões que naturalmente acontecem, até por ser um esporte de nítido contato físico. É claro que existem casos e mais casos de jogadores envolvendo os mais variados problemas médicos. Logo, não dá para generalizar englobando o mundo como parâmetro justificativo do constante uso do pronome “se” dentro das quatro linhas.

O mito do jogador que poderia ter sido muito mais se não fossem as lesões também deve ser levado em consideração. Além de ser ilusório, não faz sentido imaginar uma carreira futebolística somente com pontos positivos, ignorando o lado negativo que lesões e afins compõem. Sendo assim, Nabil Fekir vive uma carreira de incertezas tratada pela maneira como poderia estar, hoje, em outro patamar. Entretanto, às vezes a vida traça destinos improváveis e capazes de alterar planos de carreira.

Assim, não podemos tratar o Real Betis como um destino natural para Fekir. Para piorar, se formos olhar o passado mais recente, a chance de hoje quiçá ser campeão da Champions League escapou entre seus dedos por conta de imbróglios nos exames médicos, que detectaram um problema no joelho do francês e o Liverpool, devido a isso, tentou abaixar a proposta. Então, o time francês resolveu cancelar a negociação. Na época, o clube inglês pretendia pagar em torno de 55 e 60 milhões de euros, mais um bônus de 5 milhões de euros. Bem mais do que os 20 milhões de euros, alguns incentivos por metas estipuladas e 20% de participação em uma futura venda deixados para o Lyon e pagos pelo clube espanhol.

Reprodução/Twitter

Também não devemos ignorar as questões contratuais e salariais envolvidas na transferência. Com o Lyon, Fekir só teria mais um ano de contrato recebendo cerca de 4 milhões e 200 mil euros por ano. Ou seja: na próxima janela de transferências, ele já poderia assinar um pré-contrato com qualquer equipe, fazendo com que a emenda saísse pior do que o soneto. Desse ponto de vista, é até aceitável compreender a venda por parte da equipe francesa. Manter um jogador insatisfeito e que não pretendia renovar seu contrato seria ilógico.

No entanto, quando esse mesmo jogador possui quase 200 jogos pelo time, status de ídolo, capitão e representante de uma torcida dentro de campo, essa mesma transferência deveria ter sido melhor planejada. Após uma temporada 2017-18 de extremo alto nível do jogador, além da sua convocação para a Copa do Mundo da Rússia, a diretoria do Lyon deveria ter aproveitado a oportunidade de negócio e concretizado o desejo de sair do ex-camisa 18 da equipe.

Não sei como funciona o esquema de renovações de contrato no Lyon, mas geralmente quando um jogador está a dois anos do término do seu vínculo com o respectivo clube, começam a acontecer algumas reuniões para, pelo menos, saber ou entender qual a vontade do atleta. Nesse caso em específico, a impressão que fica é que pouco importou se o Fekir teria um, dois, três ou quatro anos de contrato restantes. Empurraram com a barriga até onde não dava mais. E o custo desse amadorismo chegou com juros e correções, tendo que vender um dos jogadores mais importantes da história do clube por uma mixaria nas atuais circunstâncias do inflacionado mercado europeu.

Marc Atkins/Getty Images

De qualquer maneira, não tem preço que pague por uma idolatria. Não interessa se o jogador quer receber X ou Y, sua representatividade está muito além do que cartolas imaginam. Pra quem pouco tem a ver com isso, o Betis encontrou uma das melhores oportunidades de mercado dos últimos anos na Europa. É uma transferência estranha, mas até tem um certo embasamento.

Fekir foi atraído por poder atuar em uma liga superior a liga francesa e receberá cerca de 3 milhões de euros anuais a mais. Doa a quem doer, isso faz bastante diferença na hora de tomar uma decisão sobre o rumo da carreira do jogador. Além de tudo, sua imagem depois da fracassada negociação com o Liverpool acabou sendo manchada negativamente, visto que clubes do mais alto escalão passaram a ter um pé atrás sobre a sua contratação, considerando ser algo arriscado pelos componentes médicos que historicamente envolveram o francês de 26 anos.

Sem entrar no mérito esportivo, por não haver dúvidas do seu talento, o status — correto ou não — de ser um jogador “bichado” influenciou diretamente na sua ida ao Betis. Mesmo que seja a grande referência técnica do time, não vejo como uma transferência positiva do ponto de vista da gestão de carreira. Trocar uma idolatria num clube como o Lyon para se aventurar no projeto ambicioso e arriscado dos andaluzes pode ser a concretização do fracasso. No entanto, às vezes é preciso dar um passo atrás para depois dar dois à frente.

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