Entrevista exclusiva com João Victor Sá, o novo reforço brasileiro do Wolfsburg
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Entrevista exclusiva com João Victor Sá, o novo reforço brasileiro do Wolfsburg

Nascido em São José dos Campos, município brasileiro no interior do estado de São Paulo, João Victor Santos Sá começou sua carreira esportiva jogando futsal no programa Atleta Cidadão, da prefeitura de sua cidade local. Depois de ter adentrado no campo pela escolhinha da Embraer, ele foi para o Primeira Camisa, clube do zagueiro Roque Júnior no município joseense.

Não demorou muito para que a chance num grande clube surgisse. Aos 17 anos, ingressou nas categorias de base do Palmeiras, onde atuou durante três anos até ser emprestado ao São José dos Campos FC (atual Clube Atlético Joseense), que disputa o Campeonato Paulista da Série A3. Além disso, ele também chegou a disputar o Campeonato Paulista da Segunda Divisão (equivalente à quarta divisão paulista) pelo União de Araras, mas logo retornou ao São José dos Campos FC.

Em 2016, o jogador foi para o SV Kapfenberg, clube que joga a segunda divisão austríaca, e de lá não saiu mais. Com 30 gols e 11 assistências em 62 jogos, João Victor começou a atrair interesse de outros clubes do próprio país. Então, subiu de patamar e acabou acertando com o LASK Linz, clube que é considerado o principal time médio da Áustria e joga a primeira divisão local (Bundesliga). Jogando duas temporadas na equipe, seus números exemplificam bem as constantes boas atuações.

Vice-artilheiro do nacional com 12 gols em 25 jogos e artilheiro da Copa da Áustria com seis gols, seu bom 2018/19 o credenciou para dar o salto necessário na carreira. Em 10 de maio deste ano, o Wolfsburg, equipe alemã que estará na próxima Liga Europa, anunciou sua contratação por supostos três milhões de euros. O jogador de 25 anos já assinou o contrato até 2023 e sua apresentação para o início da pré-temporada está marcada para 25 de junho.

Ser jogador profissional de futebol sempre foi seu principal objetivo? 

– Sim, sempre tive isso na minha cabeça no intuito de conseguir ajudar minha família.

Na sua formação de base no Brasil, esperava mais oportunidades no Palmeiras?

– Ah, então, acredito que no momento era difícil. Eu não estava na minha melhor fase. Então não guardo nenhum ressentimento. Só tenho que agradecer tudo que aprendi no Palmeiras.

Quando foi emprestado para o São José dos Campos FC, você viu aquilo como uma descida na carreira ou preferiu por ter, na teoria, mais oportunidades e mais chances em campo?

– No começo foi um pouco difícil principalmente por estrutura e tal, mas logo já foquei e desde sempre coloquei na minha mente que se eu quisesse chegar longe, independentemente das dificuldades, teria que dar meu máximo. Foi isso que eu fiz e tento fazer todos os dias.

“A intensidade na Áustria é muito maior que no Brasil”

Como foi sair do interior de São Paulo diretamente para a Europa? 

– Bem difícil né. Frio, língua, costumes e futebol totalmente diferente. Então, a adaptação em si foi bem complicada. Procurei aprender inglês o mais rápido possível para, pelo menos, conseguir me comunicar. Já o alemão, que já é mais difícil, hoje em dia já dá pra entender bem, mas não sou fluente. No futebol foi a mesma coisa. Procurei observar bem para saber o que eu precisava melhorar com o intuito de conseguir jogar e me destacar.

Ao trocar o Kapfenberg pelo LASK, você sentiu muita distância, no quesito técnico, da segunda para a primeira divisão austríaca?

João Victor comemora gol na época de quando atuava pelo Kapfenberg (Foto: GEPA/Hans Oberlaender)

– Um pouco em relação à qualidade e velocidade de jogo. Então tive que me adaptar fisicamente pelo jogo ser mais corrido e mais forte. Graças a deus esse processo acabou sendo rápido e as coisas vêm dando certo!

Para você, quais são as diferenças do futebol praticado no Brasil para a Áustria?

– A intensidade na Áustria é muito maior que no Brasil. No entanto, a qualidade no Brasil ainda é melhor, mas hoje em dia somente tendo qualidade não se ganha jogos ou campeonatos.

Abordando mais o seu lado pessoal, como foi ter que ficar parado seis meses por doping justamente quando você vivia uma boa fase?

– Bem complicado, sem dúvida o pior momento da minha vida. Por falta de conhecimento, acabei tomando um remédio de dor de cabeça sem saber que estava na lista. Enfim, foi bem difícil mesmo. Porém, com a minha família ao meu lado, hoje consegui dar a volta por cima.

“Escolhi a Alemanha por ser um dos melhores campeonatos do mundo junto com a Premier League e a La Liga”

Mesmo com uma boa média de gols na sua primeira temporada na Bundesliga austríaca, na última você acabou como vice-artilheiro da competição. Quais foram as principais mudanças, tanto pessoais/profissionais, como do próprio clube, para que você conseguisse alcançar um nível tão alto? 

– Acho que o entrosamento com o meu time foi determinante. Por conhecer e estar mais adaptado à liga, além de estar trabalhando muito, isso fez toda a diferença para que eu conseguisse esses bons números.

Acredita que a chegada do Oliver Glasner, seu antigo novo treinador, foi fundamental para sua contratação no Wolfsburg? 

Oliver Glasner foi uma das principais razões para o sucesso do brasileiro na Áustria (Foto: GEPA/Daniel Goetzhaber)

– Fundamental não porque já estava acertado antes mesmo dele ser contratado, mas com certeza ele vai ajudar na minha adaptação por eu já conhecer o trabalho dele e ele conhecer o meu.

Houve outros clubes interessados em você além do Wolfsburg? E porque a escolha pelo clube e pelo campeonato alemão?

– Sim, teve interesse do Stuttgart, do New York City, alguns times do Catar, e um time brasileiro. Escolhi a Alemanha por ser um dos melhores campeonatos do mundo junto com a Premier League e a La Liga. O projeto bacana e a classificação para a Europa League também me motivaram a escolher o Wolfsburg.

E quais são as suas expectativas para atuar em um dos principais campeonatos do mundo?

– As melhores possíveis. Vou tentar me firmar na equipe e adaptar o mais rápido possível, dando o meu melhor e contribuir tentando ganhar títulos.

“Jogar no Brasil seria muito especial”

O Wolfsburg é o maior desafio da sua carreira?

– Com certeza, até aqui profissionalmente falando será o maior, mas se Deus quiser irá dar tudo certo. Estou muito tranquilo e sei do meu potencial.

Pelos clubes que você passou, e pelo pouco que pôde conhecer do clube alemão, já sentiu muita diferença na estrutura do Brasil para a Europa?

– Sim, o Wolfsburg possui uma diferença muito grande mesmo em relação às estruturas do Brasil. Já os outros (clubes) que passei, nem tanto.

Você já atuou em várias posições durante toda a sua carreira. Qual a sua preferida ou a que se sente mais a vontade de jogar? 

– Prefiro jogar aberto pela ponta esquerda ou, então, como segundo atacante.

Torce por algum time no Brasil? E pensa em voltar ao país em algum momento da sua carreira?

– Não, hoje em dia não torço mais, mas acompanho o futebol de lá sim. Ah, quem sabe? Jogar no Brasil seria muito especial!

Sonha em jogar em algum clube específico? 

– Para ser sincero, não. Acho que meu maior sonho sempre foi apenas ajudar e dar uma boa condição para minha família.

Hoje, qual o maior sonho e objetivo do João Victor? 

– Com certeza me firmar no Wolfsburg e levar a equipe a um título.

Essa foi a entrevista exclusiva com João Victor, atacante que busca sua afirmação no futebol alemão. Desejo a ele uma rápida adaptação para que jogue o que realmente sabe e que consiga conquistar muitas glórias em sua carreira. Agradeço também pela disponibilidade em me atender.