De comparado com Podolski à artilheiro local: conheça o dinamarquês Robert Skov

Nascido na Dinamarca, Robert Skov surgiu no mundo do futebol no Silkeborg IF, modesto clube local. Depois de passar por todas as equipes de base, estreou no time principal em maio de 2013 e de lá não saiu mais. Contabilizando mais de 100 jogos pelo clube, o jovem atacante, apesar de não ter tido números e atuações muito chamativas, deu um passo a frente na carreira. Em janeiro de 2018, o FC Copenhague, uma referência no futebol do país, anunciou sua contratação por 1 milhão de euros.

Sendo assim, não demorou muito para que ele estreasse — e conseguisse espaço — no seu novo time. Estreando em fevereiro daquele ano, Skov marcou seu primeiro gol na Superligaen (primeira divisão da Dinamarca) pouco mais de duas semanas depois. Para um jogador que pouco tinha hábito de ser decisivo, era o começo de uma nova perspectiva. Tanto que em maio, foi nomeado na lista preliminar de 35 jogadores da Dinamarca para a Copa do Mundo na Rússia. Contudo, não foi selecionado para a lista final.

Com uma aparição extremamente fraca nas Olimpíadas de 2016 no Brasil, o atleta dinamarquês parecia que não iria engrenar futebolisticamente. No entanto, tudo literalmente mudou quando, enfim, começou a atuar por um time de mais renome dentro do seu próprio país. Não existem adjetivos para contextualizar o que foi a sua temporada de 2018/19. Talvez nem ele, nem o próprio clube e nem a Dinamarca como um todo acreditaria que ele conseguiria chegar ao mais alto nível necessário para ser decisivo em quase todos os jogos.

Seu nível foi tão avassalador que ele conseguiu marcar mais gols na última temporada do que em seis anos (23 gols) no seu clube anterior. Convocado para todas as seleções de base da Dinamarca, foi, em março deste ano, a grande coroação da sua evolução como jogador: a primeira oportunidade na principal. E cá entre nós, não havia como Skov não ser convocado. O principal jogador atuando na liga local não pode e não deve ser deixado de lado, principalmente quando se trata de uma seleção extremamente escassa de material humano.

Por mais que pareça — pelos números — que o jovem de 23 anos atue como centroavante, ele não é e está longe ser. Tanto pelo Silkeborg, como pelo Copenhague, a nova estrela dinamarquesa se notabilizou por atuar como propriamente um winger (extremo) pela direita, alternando a velocidade pela linha de fundo com as diagonais incisivas para a área. Rápido, agudo, vertical, habilidoso e agora um finalizador nato. Já é difícil parar um jogador quando o mesmo consegue unir todos esses atributos na mesma jogada. Agora, imagine se é possível o próprio fazer isso com consistência? Robert Skov mostrou que sim.

“Eu tive um jogador que finaliza com tanta força e precisão como Skov, e ele é Lukas Podolski”, disse o atual treinador do Copenhague, Stale Solbakken, que já treinou o jogador alemão no Colônia em 2011/12.

Além da sua capacidade absurda de finalizar com precisão com a bola rolando, também se tornou um excepcional cobrador de faltas. Ao todo, foram oito gols de falta na temporada. Originalmente canhoto, o dinamarquês conseguiu desenvolver seu pé direito a ponto de poder ser considerado um jogador ambidestro, ainda que só consiga render atuando no flanco direito. E esse é o seu principal problema a ser aperfeiçoado nos próximos anos: a versatilidade. Com 1,83 m de altura, tamanho e talento não faltam para que ele possa, em uma eventualidade, atuar como centroavante. Para um jogador do seu nível atual, é mais do que necessário ter, ao menos, uma mínima noção para funcionar nas principais posições ofensivas.

Se quiser dar o próximo passo na carreira, Skov ainda tem muito a evoluir. Não é porque chegou a concorrer — em alguns momentos — na última Chuteira de Ouro, que tudo está ótimo. Muito pelo contrário, o nível do campeonato dinamarquês não deve servir de parâmetro para o considerarmos um jogador pronto a atuar nos grandes centros europeus. Mas não podemos deixar de evidenciar o feito de um garoto de 23 anos que, até pouco tempo, nem imaginavam sua existência.

Campeão, melhor jogador e artilheiro do Campeonato Dinamarquês, é bem provável que ele seja vendido para uma liga de maior notabilidade. Especula -se que a Premier League desponta como provável destino do dinamarquês. Tottenham, Watford, Wolverhampton e West Ham possuem interesse nele. Além disso, Porto e Fenerbahçe correm por fora. Quem levar, terá um diamante bruto pronto para ser lapidado e, consequentemente, ser posto à prova.

About Bruno Povoleri

Cursando Comunicação Social e apaixonado pelo futebol alemão. Games, Vasco da Gama e Borussia Dortmund.