Como a polêmica declaração de Sammer, feita há uma semana, pode impactar no Der Klassiker
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Como a polêmica declaração de Sammer, feita há uma semana, pode impactar no Der Klassiker

Há praticamente um ano, Matthias Sammer foi contratado como uma espécie de conselheiro externo do Borussia Dortmund. Anunciado pelo CEO do clube, Hans-Joachim Watzke, o ex-jogador de 50 anos retornou ao time por onde jogou de 1993 a 1998 e treinou de 2000 a 2004. Depois de ter saído do cargo de Diretor Esportivo do Bayern de Munique, ele voltou a trabalhar nos bastidores de um clube. Contudo, concilia dois empregos: além de um cargo executivo no Dortmund, também é comentarista da Eurosport, rede de televisão esportiva da Europa. Assim, é quase impossível evitar algum assunto de maior repercussão sobre a equipe que ele participa, mesmo que indiretamente.

E foi desse modo que Sammer opinou sobre a acirrada disputa do título da Bundesliga, dando vantagem para o Bayern de Munique. “Existem vários fatores em que os bávaros estão à frente: o jogo em casa contra o Dortmund e a experiência”. Ainda complementou seu raciocínio dando a entender que a “crise” do Bayern, no início/meio da Bundesliga, acaba ajudando neste momento decisivo. “O período de seca no outono fez com que eles (os jogadores bávaros) ficassem pra trás e acontecesse uma corrida pelo título incrível. Os jogadores estão com fome de conquista. É um título muito importante para eles”.

Pelo bem da Bundesliga (e do seu outro “emprego”), Sammer, por mais que acredite no título do Bayern, disse que prefere a salva de prata a caminho do Vale do Ruhr. “Do ponto de vista dinâmico, desejaria, no entanto, que o Dortmund tenha vantagem no final. Isso seria melhor para a Bundesliga”.  Também ressaltou a importância que teria a obtenção do maior título nacional para a temporada da equipe auri-negra: “A partir de agora, o Dortmund passa a ter o troféu do campeonato como o principal objetivo para a temporada. Claro, você tem que continuar pensando jogo a jogo, mas tem que ter em mente o que você almeja, que é a maior conquista no futebol nacional”.

Para falar o que todo mundo já imaginava, era melhor Sammer ter ficado calado. (Foto: Pixathlon/SID)

Por incrível que pareça, a relação entre o ex-jogador e Dortmund, quando colocada no âmbito jornalístico, não é das melhores. No início de março deste ano, ele criticou (com razão) a maneira como a equipe auri-negra se comportou diante de adversários teoricamente mais fáceis. “Em jogos como contra o Augsburg, Düsseldorf ou Nuremberg, o Borussia Dortmund não se comporta como campeão, mas como um time médio”.

Quando o situação não está das melhores, as vezes é benéfico dizer o que ninguém tem coragem. Por se tratar de uma figura importante como a dele, principalmente pela relação profissional esportiva com o clube, a consequência é ainda maior. Não se pode negar que, enquanto comentarista esportivo, recebe para isso. Entretanto, ele também recebe para desempenhar uma função no Dortmund que ninguém entende qual é, mas recebe. E aí que está o grande problema da questão: quando suas duas funções entram em conflito.

Sammer sempre foi uma pessoa sem papas na língua e não vai ser um emprego a mais ou a menos que vai fazer ele mudar. Porém, faltando somente sete rodadas para o fim do campeonato, como uma declaração dessa, de que ele acredita na conquista do título pela equipe rival a sua, pode cair no vestiário? Será que vai piorar o que parece ser “impiorável”?

Colocar o emprego de jornalista em primeiro lugar é um grande erro de Sammer. Conflitar os dois (empregos), é pior ainda. Mas será que Watze e Zorc não imaginaram que isso poderia acontecer quando o contrataram? (Foto: Imago/Nordphoto)

Mas, o que mais chama a atenção, é que um dos motivos pelos quais ele foi contratado, era justamente atuar numa espécie de elo entre a diretoria e o elenco. Pelo visto, parece que não vem dando muito certo, uma vez que criticou o time publicamente sem — aparentemente — informar o treinador/elenco ou diretoria sobre seu (e da torcida) descontentamento. Agora, deu seus motivos para não acreditar no êxito do clube que o emprega.

É por declarações como essa, vindo de um empregado do também postulante ao título, que impactam diretamente na moral sobre os jogadores, comissão técnica e diretoria. Próximo do Der Klassiker, o Bayern aposta todas as suas fichas na vitória para engatar de vez as rédeas do heptacampeonato. Já o Dortmund, que vinha em queda de produção, conseguiu um respiro moral nas vitórias sobre o Hertha Berlim e o Wolfsburg. De qualquer maneira, é o jogo da temporada para ambos os times.

Sammer não falou nenhuma mentira, e também não fez o papel de bom moço como boa parte da imprensa esportiva mundial em geral costuma fazer. É até bacana, mas deixasse pra depois. Na atual conjuntura, pegou mais mal do que bem. No entanto, parece que concluiu bem seu trabalho, visto que o papel do conselheiro no mundo do futebol é tumultuar.