Briegel foi infeliz ao dizer que a crise da Alemanha é “tudo culpa de Guardiola”
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Briegel foi infeliz ao dizer que a crise da Alemanha é “tudo culpa de Guardiola”

Centros de treinamento modernos, alta tecnologia a mercê das comissões técnicas na preparação das equipes e uma liga nacional considerada como modelo esportivo. O futebol na Alemanha é levado a sério e tratado quase como uma ciência. Contudo, o fracasso da seleção na Copa do Mundo da Rússia acendeu o alerta: a geração campeã mundial em 2014 parecia ter entrado em declínio. E a partir daí Pep Guardiola entra na história.

Guardiola não teve medo de mexer em uma base campeã de tudo para buscar aperfeiçoa-la ainda mais. No cenário interno, o domínio, de fato, foi ainda mais amplo e em raros momentos sofreu pequenas ameças. O desempenho e números inquestionáveis não blindaram o treinador de críticas. E não pense que as críticas foram apenas por causa das três quedas nas semifinais da Champions. A espanholização foi um dos fatores, o que mudou a cara do time. No entanto, seguiu vencedora de qualquer jeito.

Recentemente, a tetracampeã mundial foi rebaixada para a série B da Liga das Nações, a nova competição disputada pelas equipes europeias. Para os críticos, falta renovação no elenco da seleção. Na derrota de 3 a 0 para a Holanda em Amsterdã, Löw escalou sete jogadores que estiveram em campo na derrota para a Coreia do Sul que eliminou a Alemanha como última colocada em seu grupo da Copa. Cinco deles — o goleiro Neuer, os zagueiros Boateng e Hummels, o lateral e volante Kimmich e o meia-atacante Müller — são do Bayern de Munique, atual hexacampeão alemão e mergulhado em uma crise profunda.

Mas, para Hans-Peter Briegel, ex-jogador da seleção alemã, o culpado dos fracassos da equipe comandada por Joachim Löw é Pep Guardiola.

“É culpa dele, ele nos traiu dizendo que ter 75% de posse era o suficiente para ganhar, mas não é. No futebol o resultado é muito mais importante do que o controle do jogo. Controlar a bola não é suficiente para vencer. A França deu uma clara demonstração quando foi campeã mundial, disse Briegel, ao jornal italiano La Repubblica.

Guardiola revolucionou não só o futebol alemão como um todo, e sim o futebol mundial. A questão da posse de bola é relativa demais para ser colocada como a grande culpa de um trabalho que não produz mais bons frutos. Atualmente, o time de Joachim Löw nem controlar quaisquer que seja o jogo, consegue. Inclusive, o casamento entre seleção alemã e o treinador de 58 anos parece estar próximo do fim.

O intuito não é defender o método guardiolista de ser. Muito pelo contrário, em sua passagem pela Alemanha, houveram alguns erros marcantes como o problema com Hans-Wilhelm Muller-Wohlfahrt, que era o médico-chefe do Bayern e pediu demissão em meio a críticas do técnico. Entretanto, sua colaboração na evolução do principal esporte praticado no mundo é impossível ser desconsiderada em qualquer que seja a indagação sobre sua influência.

Infelizmente, a forma de pensar e bancar um futebol pragmático na Alemanha ainda existe. Talvez seja por isso a atual crise. Desprezando uma das únicas partidas em que a seleção de Löw praticou um exímio futebol — o inesquecível 7 a 1 de 2014, o pragmatismo sempre esteve na cultura futebolística alemã de ser. E Pep Guardiola foi um dos poucos treinadores ou possivelmente o único até aqui a bater de frente com o sistema.

“Você pode ganhar mesmo voltando a uma forma mais tradicional de jogar. O mais importante não é o bom jogo, é ter equilíbrio em campo, acrescentou o alemão.

Por outras palavras, o ex-jogador do FC Kaiserslautern escancarou o método corriqueiro ainda existente no futebol de que não importa como e o que aconteça, é necessário ganhar. Com esse pensamento, é compreensível o porque dele não ter dado certo como treinador. Futebol é muito mais do que trocar 1000 passes ou sofrer 25 chutes no gol e mesmo assim vencer o jogo.

O problema não está na passagem de três anos de Guardiola pela Bundesliga. O problema do momento engloba a atual Federação Alemã de Futebol (DFB) e a falta de culhões para buscar uma mudança de pensamento — isso inclui a saída de Joachim Löw. Pensamento esse que se assemelha muito com o que disse Hans Peter Briegel. Mas, como usualmente vem fazendo, é mais fácil e covarde culpar o outro do que reconhecer os próprios erros.

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