Bozhidar Kraev, o búlgaro que revive o conceito de trequartista
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Bozhidar Kraev, o búlgaro que revive o conceito de trequartista

Nascido em Vratsa, cidade localizada no noroeste da Bulgária, Bozhidar Kraev começou a jogar futebol aos seis anos de idade, no clube de sua cidade natal, Botev Vratsa, onde seu pai, Boyko Kraev, também havia jogado. Em 2008, num projeto liderado pelo Barcelona e Stoichkov, que era um programa patrocinado pela Gillette para jovens jogadores talentosos, Kraev foi para o FC Vilafranca, clube espanhol da Catalunha. Dois anos depois retornou ao seu país natal para se juntar ao Chavdar Etropole, clube búlgaro que compete na terceira liga do sudoeste do país.

Aos 16 anos ele ingressou nas categorias de base do Levski Sofia, um dos principais clubes da Bulgária. Por lá, estreou em julho de 2014, contra o Lokomotiv Plovdiv pela primeira divisão do país. No mês de setembro daquele ano fez um hat-trick na vitória por 7 a 1 contra o Spartak Varna, pela Copa da Bulgária. Dois dias após assinar seu primeiro contrato profissional com a equipe búlgara, Kraev foi chamado para um teste na Juventus e foi reprovado. No ano seguinte, em 2015, foi a vez do Manchester City chamá-lo para uma avaliação, na qual também não foi aceito.

Em abril de 2017, com 19 anos, marcou quatro gols em uma vitória por 5 a 0 sobre o Lokomotiv Plovdiv, tornando-se o mais jovem jogador da história do Levski a marcar quatro gols em um único jogo. Próximo de completar 100 jogos pelo clube búlgaro, onde marcou 25 gols e deu nove assistências, na janela de verão daquele mesmo ano foi vendido por €500 mil ao FC Midtjylland, um dos mais importantes clubes da Noruega e popular por revelar jovens jogadores promissores.

“Eu particularmente aprecio sua falta de egoísmo e vontade de jogar pela equipe”, disse a lenda da Bulgária, Stoichkov.

Capaz de atuar em praticamente todas as posições de ataque, muito por conta de possuir uma boa estatura com 1,83 metros de altura, o búlgaro detém qualidades necessárias para desempenhar quase boa parte das funções ofensivas. Kraev pode e deve ser considerado um trequartista — referente à posição ocupada pelo chamado playmaker da equipe — que invariavelmente veste a camisa 10, é um jogador que atua no último terço do campo, seja como meio-campo ofensivo ou meio-campo avançado, alternando situações de finalização com construção de jogo.

Posições onde é capaz de atuar


Por outro lado, o trequartista é o jogador que atua no “vazio” entre a defesa e o meio-campo da equipe adversária, tentando assim, usar esse espaço para criar situações de gol. Apesar de na atual temporada estar atuando como extremo de ambos os lados e até mesmo centro-avante, foi nas duas últimas temporadas que ele se destacou, principalmente com bons números. Em 2016/17, quando atuou predominantemente como meio-campista, marcou 11 gols e deu uma assistência em 37 jogos. Já na temporada 2017/18, em que começou a revezar pelo meio e os lados do campo, marcou nove gols e deu uma assistência em 28 jogos.

“Talentos como ele nascem uma vez em uma década. Ele já é um jogador completo, com excelente controle de bola, visão e capacidade de ultrapassagem”, disse Spas Dzhevizov, ex-jogador búlgaro. 

Com passagens por todas as seleções de base da Bulgária e agora, frequentemente convocado para a equipe principal do país — chegando a marcar dois gols contra a Eslovênia pela UEFA Nations League, Kraev ainda não engrenou definitivamente nesta temporada por seu clube. Alternando entre boas atuações pela seleção e fracas pelo Midtjylland, o búlgaro de 21 anos precisa definir sua legítima posição para consolidar o talento presente e já visto em grandes atuações.