Alan Walker deve ser visto com bons olhos pelo cenário eletrônico

Com o avanço contínuo da tecnologia, adquirir conhecimento por plataformas digitais tornou-se universal e cada vez mais popular na cultura dos jovens. Em alguns casos, aprende-se mais do que no ensino curricular básico. Talvez seja mais corriqueiro no Brasil, visto que há um ensino ultrapassado e que muitas vezes não doutrina o básico necessário.

Filho de mãe norueguesa e pai britânico, Alan Walker se mudou do Reino Unido para a Noruega ainda criança. Proveniente do efeito da constante transformação tecnológica global, foi na cidade de Bergen, que sozinho aprendeu sobre produções musicais, em tutoriais pelo Youtube e Facebook. Com uma daquelas histórias que podem ser enredo de filmes, o jovem começou a produzir música após se interessar pelo som de um DJ italiano e ingressar em um grupo de produtores amadores que trabalhavam com o software FL Studio — conhecido anteriormente como FruityLoops, no Facebook.

Aos 17 anos e ainda criando faixas em seu quarto, a música “Fade” chamou a atenção do selo NoCopyrightSounds e foi relançada com o nome de “Faded”. (Foto: last.fm)

Através de “Faded”, o DJ norueguês ascendeu muito novo ao universo eletrônico. Apesar de ter sido ajudado por um time de colaboradores na nova versão da música — que contou com o vocal de Iselin Solheim, a faixa superou 1 bilhão de visualizações no YouTube e conquistou diversos prêmios: certificados de platina pela ARIA (Australian Recording Industry Association), FIMI (Federazione Industria Musicale Italiana), RMNZ (Recording Industry Association of New Zealand) e Spellemann Award for Hit of the Year (2016), além de ter obtido remixes de outros importantes nomes da música eletrônica, como Tiesto, Dash Berlin e Hardwell.

Oficialmente, em 4 anos de carreira, o DJ de 20 anos também conta com outros sucessos como “Sing Me to Sleep”, “Routine – with David Whistle”, “Alone” (2016). “Tired ft. Gavin James”, “The Spectre”, “All Falls Down ft. Noah Cyrus and Digital Farm Animals” (2017). “Darkside ft. Au/Ra and Tomine Harket” (2018). Apesar de famoso por seus remixes, o mesmo já possui repertório suficiente para ser qualificado como um grande artista.

Após ter ficado no 55º lugar da DJ Mag Top 100 DJs do ano de 2016, em 2017 se consolidou como o DJ que mais subiu posições no ranking da revista: 38 lugares até 17º lugar. No mesmo ano, Alan Walker se tornou o 52º artista a entrar na “lista do bilhão” do YouTube e tornou-se o canal com maior número de inscritos na Noruega, com mais de 4,5 milhões de inscritos.

Sobre seu modo de produzir, um aspecto cativante é a identidade sonora que o músico consegue expressar em suas faixas. Cada vez mais frequente na EDM, a pegada mais pop identifica suas criações e caracteriza um estilo próprio. O motivo disso tudo deve-se principalmente ao início de seu processo criativo quando se inspirava em músicas calmas, old school, techno e house.

Eu acho bem legal poder misturar esses elementos e então criar o meu próprio esquema sonoro, disse o norueguês em entrevista exclusiva ao Omelete em 2017.

Uma das marcas de Alan é o uso de uma máscara e capuz. A ideia foi elaborada no começo da carreira e tem como referência seu sobrenome, algo como “andarilho”, em português. O significado principal é que qualquer pessoa pode ser um “walker”, desde que se traje como o DJ. (Foto: gaming.sxsw.com)

Em algumas de suas apresentações, Alan Walker costuma mesclar aos CDJs, o uso de sintetizadores, samplers e drum machines ao vivo, criando introduções atmosféricas e impactantes. Revolucionário como boa parte da nova safra de produtores, o norueguês busca a aceitação de entusiastas do antigo cenário da EDM, marcado por menos featuring e mais single music.

Mesmo com o estrondoso sucesso no segmento pop-eletrônico — e talvez seja por isso, as críticas sobre seu estilo apresentado e por simplesmente não manter-se fiel a um ritmo, constatam o quão mutacional está a música eletrônica num todo. Baseado no sucesso dos americanos do The Chainsmokers como exemplo, vale ressaltar o quão atrativo para a indústria fonográfica, a mistura do pop com o lado eletrônico reascendeu o gosto do público consumidor no mercado digital.

Basta entender que o contexto da música eletrônica se tornou refém da constante inovação musical e Alan Walker, com sua carreira em ascendência, deve ser visto como crucial para a sobrevivência do cenário. O mundo da música ganhou novos ares e produzir conteúdo inédito não deveria ser motivo para pré-julgamentos de supostos conhecedores. Além do mais, o panorama musical precisa muito mais do incomum que do corriqueiro.

Referências:
ARTIGO 1ARTIGO 2 • ARTIGO 3

About Bruno Povoleri

Cursando Comunicação Social e apaixonado pelo futebol alemão. Games, Vasco da Gama e Borussia Dortmund.