A era bávara de Mats Hummels está com os dias contados, e ele ainda não percebeu isso
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A era bávara de Mats Hummels está com os dias contados, e ele ainda não percebeu isso

O mundo do futebol proporciona rumos inexplicáveis. Nele, nem sempre o óbvio ou o previsível acontece. E esse talvez seja o seu grande triunfo para ser, hoje, o esporte mais visto no mundo. Dinamismo, capacidade de mudanças e reações diversas: são várias as possibilidades de entretenimento no âmbito futebolístico. Porém, quando há desigualdade financeira e estrutural, o jogo muda.

Em 2008, quando trocou Munique por Dortmund, Hummels revelou ao site Transfermarkt que a contratação do zagueiro brasileiro Breno, hoje no Vasco, foi a grande motivação para sua saída. Mas ele nunca esqueceu o clube da Baviera, tanto que, oito anos depois, retornou ao Bayern numa transferência que girou em 38 milhões de euros. Como estava em seu último ano de contrato, o defensor em comum acordo com o clube do Vale do Ruhr, decidiu efetuar a negociação.

Pelo Borussia Dortmund, onde viveu a melhor fase da sua carreira, foram 305 jogos, 19 gols e 12 assistências, além de dois títulos de campeonato alemão (2011/12 e 2012/13), uma Copa da Alemanha (2011/12) e duas Supercopas da Alemanha (2008 e 2013). Vale ressaltar que a conquista da Copa do Mundo de 2014 aconteceu quando o zagueiro ainda estava no clube. Isso representa bem o quão importante o Dortmund acabou sendo na sua carreira, mesmo que ele não tenha dado valor.

Mesmo consolidado e capitão do clube, Hummels decidiu voltar para sua cidade natal justificando a sede por títulos. (Foto: Divulgação/Dortmund)

Logo na sua primeira temporada (2016/17), Hummels — como esperado — foi peça-chave na equipe que conquistou o pentacampeonato seguido da Bundesliga e fez uma boa campanha na Champions League. Sob o comando de Carlo Ancelotti, o alemão de 30 anos provavelmente viveu sua melhor fase em Munique. Sem muita concorrência, a reedição da dupla de zaga com Jérôme Boateng o fez bem e mal ao mesmo tempo. O entrosamento oriundo da seleção alemã fez com que sua adaptação fosse rápida e efetiva. Contudo, além de títulos, não havia novos desafios técnicos-profissionais para o camisa 5 bávaro.

Assim, na época seguinte (2017/18), sua queda técnica começou a se acentuar, fazendo com que começasse a falhar mais frequentemente, algo que era inimaginável para um defensor de alto nível. Com a chegada do antes promissor Niklas Süle, a concorrência que até então não existia, passou a existir. E não demorou para que Hummels caísse ainda mais de produção: na primeira metade desta temporada (2018/19), apesar de alguns problemas físicos, ele só jogou em 14 das 24 partidas oficiais.

Aos 30 anos, idade quando zagueiros geralmente vivem seus respectivos auges, Mats Hummels vive um dilema na sua perspectiva de carreira. Hoje, depois de alguns anos, podemos afirmar que ele saiu de uma zona de conforto e foi para outra. Não existia concorrência no Borussia Dortmund e, até a temporada passada, também não havia no Bayern de Munique. Bastou a chegada de um zagueiro de nível um pouco mais elevado para ele perder o posto de intocável.

Ameaça na Mannschaft (antes da aposentadoria forçada) e no Bayern, Süle — o melhor zagueiro da temporada bávara — virou a pedra no sapato de Hummels. (Foto: NewsBeezer)

Na segunda metade da temporada atual, Hummels voltou a atuar mais. Com isso, em entrevista à Kicker, ele afirmou ter se aborrecido com a falta de oportunidades no começo da temporada e agora, com mais chances na equipe titular, parece ter esquecido o início ruim. “Se as coisas tivessem continuado como no final da primeira metade da temporada, é claro que eu teria que me preocupar, mas agora funciona melhor de novo”.

Não dá pra negar que as contratações de Lucas Hernández e Benjamin Pavard por parte do Bayern de Munique vão influenciar no futuro do defensor alemão de 30 anos. Mesmo assim, ele declarou estar tranquilo em relação a isso: “Eu sempre olho para tudo e para o que está acontecendo e o que o clube está planejando. Se o clube diz que ele é dependente de mim, está tudo bem”.  Embora tenham sido declarações um tanto quanto positivas, parece que ele não vive a mesma realidade futebolística que a grande maioria dos torcedores bávaros.

Estagnado, Hummels aparenta ter parado no tempo. A possibilidade dele permanecer em Munique na próxima temporada é mínima. Além das pífias atuações, as chegadas de dois jovens jogadores que já deixaram de ser promessas há bastante tempo, provavelmente culminarão na sua saída. Para sua sorte, seu companheiro Jérôme Boateng também deve se transferir e ocasionar sua permanência momentânea, mesmo que como reserva. De qualquer maneira, o ciclo vencedor dos dois está bem próximo do fim. E como é algo típico no futebol, ambos — principalmente Hummels — deveriam aceitar com mais naturalidade.

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