A convocação para Seleção Brasileira é a “cereja do bolo” de Vinícius Júnior
Share:

A convocação para Seleção Brasileira é a “cereja do bolo” de Vinícius Júnior

Como na vida, o futebol também dá voltas. Quando Vinícius completou 18 anos e rumou à Espanha, em junho, sua perspectiva de carreira em Madrid não era das melhores. Todos os caminhos levavam para um empréstimo ou, pelo menos, um ano no Real Madrid Castilla (time B) para que, em tese, não pulasse etapas do seu desenvolvimento como jogador. Não foi o caso. Ainda assim, sua ascensão meteórica não é novidade para o Brasil. Aos 16 anos, ele estreava pelo Flamengo na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Hoje, dois anos depois, foi convocado para a Seleção Brasileira principal.

Melhor jogador do Flamengo na sua última temporada no Brasil, Vinícius Junior já dava indícios de que poderia chegar mais longe do que se imaginava. Atualmente é, em alguns momentos, o melhor jogador do Real Madrid. Por ainda possuir somente 18 anos, é normal que alterne entre partidas boas e ruins. Ter pulado alguns anos na sua formação teve os lados positivos e negativos, já que houve uma precoce supervalorização da dimensão que o jogador possui. Porém, isso tá longe de obscurecer seu talento.

Algumas boas atuações na Terceira Divisão do Campeonato Espanhol fizeram com que ele começasse a receber chances com Lopetegui na equipe principal. Contudo, foi somente sob o comando de Santiago Solari, ex-treinador do time B da equipe merengue, que Vinícius começou — pra valer — sua trajetória no futebol europeu. Muitas coisas mudaram desde a rápida estreia contra o Atlético de Madrid e a sua primeira titularidade, um mês depois. E, uma delas, é a sua regularidade (em todos os sentidos) em campo.

De reverenciador à reverenciado: a trajetória de Vinícius Júnior parece ser um filme. (Foto: Divulgação/Real Madrid)

Parafraseando a ideia de que “todo bom goleiro precisa de sorte”, ela (a sorte) também é muito bem-vinda em alguns casos futebolísticos. Em específico, no de Vinícius Júnior, que caiu de paraquedas num elenco desgastado e tricampeão da Champions League, visivelmente carente de uma renovação. Pra fechar o pacote, sua posição em campo — na teoria — é a mesma que Cristiano Ronaldo jogou em seus áureos tempos madrilenhos. A lacuna deixada pelo melhor jogador da história de Portugal não tinha dono há mais ou menos oito meses. Hoje, tem. E isso se deve muito a Solari.

O enredo entorno de um Real Madrid fragilizado e conturbado tinha tudo para dar errado. Lopetegui demitido cedo, treinador interino assumindo, estrelas em baixa e carência de um jogador decisivo, em gols ou criações de jogadas. Eis que cai no colo de um menino de 18 anos a solução dos problemas. Pro azar dos que torcem contra, deu certo. Vinícius continuou sendo o mesmo jogador do Flamengo: agudo, habilidoso, veloz, criativo e, principalmente, sem medo. A personificação perfeita do ponta inventivo, algo raro no atual monótono futebol mundial.

Pulando etapas desde os 13 anos, quando já jogava na Seleção sub-15, Vinícius ainda possui carências naturais para sua idade, visto que finaliza relativamente mal e toma algumas decisões precipitadas. No entanto, têm números mais do que suficientes para ser considerado uma das peças-chaves desse atual Real Madrid e ser convocado merecidamente para vestir a pesada camisa da seleção brasileira pela primeira vez.

Mesmo que tenha sido convocado mais para ganhar bagagem e se ambientar a seleção principal do que propriamente lutar por uma titularidade, não é loucura dizer que parece ser questão de tempo para que isso realmente aconteça. Claro, existem muitos aspectos que precisam ser melhorados e, com o tempo, provavelmente serão. O futebol parece cruel ao rotular um jovem como craque e depois zombar, sem dó, ao reencontrá-lo no ostracismo. Mas, especificamente nesse caso, não é “oba-oba”, são fatos.

Não é mais cedo para dizer que o Real Madrid — assim como foi com o Flamengo e a Seleção sub-20 — está à mercê da imprevisibilidade de um garoto de 18 anos. Substituir Cristiano Ronaldo e vestir uma camisa 13 vezes campeã da Champions League, não é pra qualquer um. O próximo desafio é vestir um dos — se não o maior — mantos mais pesados do futebol mundial. E tomara que fique tão leve tanto quanto todos os outros (sem exceções) que já vestiu.